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O QUE UM ESTUDANTE NÃO DEVE FAZER DURANTE A GRADUAÇÃO



A Choosing Wisely International é uma iniciativa, hoje multinacional, para ajudar médicos e engajar pacientes em diálogos sobre excessos de intervenções, colaborando para escolhas sábias em saúde. A Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública é uma das parceiras nacionais do projeto.


Recentemente uma publicação em seu site (https://www.choosingwisely.com.br) nos chamou a atenção: “O QUE UM ESTUDANTE DE MEDICINA NÃO DEVE FAZER DURANTE A GRADUACÃO"


São 10 recomendações de alunos para alunos que coloco abaixo de forma resumida:


1.NÃO CONFUNDIR HORÁRIO LIVRE COM HORÁRIO DE ESTUDO:

TER SAÚDE É ESSENCIAL PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS DA MEDICINA.


O “burnout” na profissão médica tem sido tema de grande interesse e preocupação, em especial com o evento da pandemia da COVID-19. Afeta negativamente a qualidade de vida, aumentando taxas de distúrbios físicos e mentais dos profissionais, além de prejudicar a atuação e os serviços prestados no atendimento aos pacientes. Adotar a filosofia "menos é mais", valorizar tempos de descanso e deixar de normalizar o cansaço e o sentimento de sobrecarga que o curso de medicina pode promover são ações fundamentais para a prevenção da síndrome do “burnout” nos acadêmicos. É também importante organizar os horários para valorizar o autocuidado. Tanto em perspectiva individual quanto em perspectiva coletiva, sintomas de adoecimento mental são compreendidos como parte inerente do processo de formação médica, o que perpetua essa condição. É preciso que os estudantes de medicina fiquem atentos aos primeiros sinais e sintomas depressivos em si mesmos e nos colegas a fim de encaminhar a ajuda apropriada.


2.NÃO SE PRESSIONE A FAZER TODO TIPO DE ATIVIDADE EXTRACURRICULAR (LIGAS, MONITORIAS, PESQUISA, ATLÉTICA) SEM PROGRAMAR O SEU TEMPO PARA TUDO ISSO OU DEFINIR PRIORIDADES.

O curso de medicina oferece inúmeras oportunidades de atividades extracurriculares proveitosas e instigantes. O estudante é apresentado a uma ampla gama de conhecimentos, muitos deles em áreas que geram interesse.

Nesse sentido, a organização e a definição de prioridades são essenciais para que se tire o maior proveito, com responsabilidade, das atividades extracurriculares. A falta desses fatores pode levar não só a sobrecarga e descompromisso, como também a consequências negativas para outros colegas e orientadores envolvidos com os projetos em questão.


3.NÃO NORMALIZE SINAIS DE EXAUSTÃO FISICA OU MENTAL EM VOCÊ E NOS COLEGAS, NEM ULTRAPASSE SEUS LIMITES AO ORGANIZAR UM CRONOGRAMA DE ESTUDO.


Frequentemente, sintomas depressivos e de burnout entre estudantes de medicina passam despercebidos devido a sua alta prevalência. Tanto em perspectiva individual quanto em perspectiva coletiva. Sintomas de adoecimento mental são compreendidos como parte inerente do processo de formação médica, o que perpetua essa condição. É preciso que os estudantes de medicina fiquem atentos aos primeiros sinais e sintomas depressivos em si mesmo e nos colegas a fim de encaminhar a ajuda apropriada. Sintomas depressivos e de burnout não são normais e, portanto, devem ser respeitados como tal.


4. NÃO TOME CONDUTAS DESNECESSÁRIAS VISANDO OBJETIVOS EDUCACIONAIS


Uma forma muito eficiente de aprendizado é traduzir o conhecimento obtido com a teoria no cuidado com o paciente. Entretanto, a falta de experiência clínica pode levar o estudante a realizar testes ou procedimentos desnecessários com o intuito de aprendizado. É necessário compreender que alguns momentos são inoportunos, observando os limites que a fragilidade do paciente impõe, respeitando preceitos éticos fundamentais da Medicina e evitando a “experimentação em seres humanos”.


5.NÃO SUPERESTIME O PAPEL DO MÉDICO NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL.


Nossa cultura coloca médicos em uma posição hierárquica como superiores em relação a outros profissionais da área da saúde. Além disso, o trabalho em equipes multidisciplinares não é uma rotina na formação médica, por mais que os melhores serviços sejam aqueles que promovem a assistência multiprofissional. O estudante, ainda na graduação, deve entender que o seu papel é complementar ao serviço prestado por outros profissionais no cuidado dos pacientes.


6. NÃO SUPERESTIME O PENSAMENTO MECANICISTA: A MEDICINA ENVOLVE O TRABALHO COM PROBABILIDADE.


O pensamento probabilístico é indispensável na Medicina. Pensar, por exemplo, que dar um medicamento é salvar um paciente promove muito conforto cognitivo. No entanto, cada droga possui a sua eficácia, e cada pessoa possui o seu NNT. O conhecimento dessas informações leva o estudante a adotar humildade no raciocínio clínico. Do mesmo modo, um teste positivo não significa sempre que o paciente tem a doença. Abandonar o mecanicismo e “apegar-se”, entender a incerteza, é uma ação necessária.


7. NÃO REPRODUZA ATITUDES INCORRETAS EM VIRTUDE DO MEDO DA REPRESSÃO DOS SUPERIORES, MUITO MENOS ACEITE EXPLICAÇÕES DE PRECEPTORES SEM QUESTIONA-LOS CRITICAMENTE.


É relativamente recente o movimento de inclusão da Medicina Baseada em Evidências nos currículos de graduação do Brasil. Por conseguinte, é comum ainda encontrar profissionais que reproduzam práticas sustentadas apenas por evidências anedóticas ou ainda práticas já superadas pela literatura médica atual. Nesse contexto, é importante não abandonar o pensamento crítico e o habito dialético de questionar ao receber uma informação e pontuar suas divergências, para que uma boa conclusão possa emergir. Conclusão essa que poderá novamente ser posta à prova em outro momento.


8. NÃO ULTRAPASSE SEUS LIMITES AO ORGANIZAR UM CRONOGRAMA PARA ESTUDAR MAIS.


Saber quais são os níveis de prioridade das tarefas curriculares e extracurriculares é um atributo essencial ao estudante de medicina. Não se organizar e acumular tarefas de menor importância na semana aumenta o estresse e diminui a eficiência do estudo. O alto desempenho na graduação não está ligado com a quantidade de horas de estudo, mas sim, com a eficiência desse.


9. NÃO REALIZE COMPARAÇÕES ENTRE SEU CURRÍCULO, SEU CONHECIMENTO E SUAS HABILIDADES E AS DE SEUS COLEGAS.

É comum, na medicina, nos depararmos com o espírito competitivo e a necessidade de sermos os melhores em tudo, ou quase tudo. Para mensurar esse tipo de ação, geralmente utilizamos notas, sejam em provas, seminários e outras atividades e é quase instantânea a comparação com outros colegas, fazendo com isso seja uma definição do que você é. Contudo, com o decorrer do curso, é notório que cada estudante possui um potencial próprio que o leva a diferentes caminhos na Medicina.


10. NÃO REALIZE ATIVIDADES EXTRACURRICULARES COM A ÚNICA INTENÇÃO DE INCREMENTAR O CURRÍCULO, E MUITO MENOS TROQUE SUAS OBRIGAÇÕES CURRICULARES POR ATIVIDADES EXTRAS.


Certamente, um bom currículo, advindo de atividades extracurriculares, é indispensável tanto para pontuar em processos seletivos de residência, quanto para desenvolver pessoal e profissionalmente o aluno. Entretanto, é comum os alunos serem pressionados por professores e por colegas para compor um extenso currículo desde cedo. Saiba, no entanto, que atualmente a nota da análise do curriculum vitae representa cerca de 10% de toda a pontuação na prova de residência. Esse pensamento pode desviar o foco nas matérias da faculdade e encher o currículo com atividades de baixo valor.

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