O desafio do treinamento em videocirurgia pediátrica
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A cirurgia minimamente invasiva pediátrica é, entre todas as especialidades cirúrgicas, uma das que mais exige do cirurgião em formação. Os espaços são reduzidos, os tecidos são mais delicados, os procedimentos são específicos e, muitas vezes, raros na prática diária. Isso significa que o residente de cirurgia pediátrica enfrenta um paradoxo: precisa de mais treinamento do que a maioria, mas tem menos oportunidades de praticar.
É exatamente esse cenário que um estudo publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões se propôs a enfrentar.
O estudo
Pesquisadores do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, desenvolveram e aplicaram uma série de sete exercícios básicos de videocirurgia com seis residentes de cirurgia pediátrica, em dois momentos distintos, com intervalo de 15 dias entre eles.
Os exercícios treinavam habilidades essenciais à videocirurgia: pinçar e transferir objetos, transferência de argola em circuito rígido, sutura simples interrompida, sutura contínua, corte em área pré-delimitada, colocação de objetos em bolsa de dedo de luva e translocação de objeto em tecido.
Os resultados foram expressivos: cinco dos seis residentes aumentaram a pontuação na segunda sessão em relação à primeira. Todos reduziram o tempo de execução. O exercício de sutura — o mais complexo e demorado — foi o único que demonstrou significância estatística, com redução comprovada do tempo entre as duas séries.
A conclusão dos autores reforça o que a literatura médica já consolidou: a simulação melhora movimentos, treina habilidades e reduz o risco de complicações no paciente. E isso acontece mesmo com uma única repetição.
O que o estudo também revelou
Mas há outra leitura igualmente importante nesse trabalho — e ela está nas limitações que os próprios autores apontam.
Os pesquisadores foram diretos: sem cronograma pré-estabelecido, sem instrumentos de avaliação validados oficialmente, sem supervisão de cirurgiões experientes e sem repetições suficientes, não é possível garantir a eficácia do treinamento nem demonstrar resultados com significância estatística.
Em outras palavras: a simulação funciona. Mas para que ela produza proficiência real — e não apenas uma tendência de melhora observada em amostras pequenas — é preciso estrutura. É preciso método. É preciso continuidade.
A própria literatura citada no estudo aponta que são necessárias pelo menos 30 repetições de um exercício para atingir determinadas habilidades, ou cerca de cinco sessões em simulador de realidade virtual para alcançar um nível de conhecimento relativamente estável.
O que isso significa para o cirurgião pediátrico na prática
No Brasil, como o próprio estudo reconhece, a maioria dos residentes de cirurgia pediátrica ainda desenvolve suas habilidades diretamente em serviço — assistindo e realizando procedimentos sob supervisão nos próprios pacientes. A escassez de programas oficiais de treinamento em cirurgia minimamente invasiva pediátrica é uma realidade.
Isso coloca o cirurgião pediátrico diante de uma curva de aprendizado que, sem suporte adequado, avança devagar — e sobre pacientes reais.
A simulação estruturada existe justamente para mudar esse quadro. E os dados mostram que ela funciona desde as primeiras sessões.
Como o Instituto Simutec atende o cirurgião pediátrico
Nos cursos de videolaparoscopia do Instituto Simutec, o cirurgião pediátrico pode montar seu próprio programa de treinamento, selecionando os módulos de acordo com sua especialidade e suas necessidades específicas. Apendicectomia, nefrectomia, lobectomia, sutura básica e avançada, habilidades básicas em videolaparoscopia — cada médico escolhe o percurso que faz sentido para sua prática.
O que diferencia esse treinamento do modelo estudado na RCBC — e resolve exatamente as lacunas apontadas pelos pesquisadores — é o conjunto de recursos disponíveis:
Simulador de alta fidelidade com retorno háptico.
O LAP Mentor reproduz com precisão a sensação de manipulação de tecidos e instrumentos dentro de uma cavidade, incluindo a percepção de profundidade e resistência — condições que materiais de baixo custo não conseguem replicar.
Métricas objetivas de performance em tempo real. O simulador gera relatórios automáticos a cada sessão, avaliando movimentos, tempo de execução, economia de movimento e precisão. O médico sabe exatamente onde está e o que precisa melhorar.
Cronograma estruturado e individualizado. O treinamento é organizado por módulos, com aulas teóricas online e prática presencial agendada conforme a disponibilidade de cada aluno. Não há necessidade de formação de turmas.
Acompanhamento personalizado. Cada sessão é acompanhada pela equipe especializada do Instituto Simutec, garantindo que o médico evolua com segurança ao longo da curva de aprendizado.
Com mais de 8.000 profissionais treinados desde 2014 e alcance em todos os estados brasileiros, o Instituto Simutec já recebeu cirurgiões pediátricos de todo o país em busca exatamente do que a ciência aponta como necessário: treinamento estruturado, com repetição progressiva, métricas validadas e ambiente controlado.
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Referência
Silva EM et al. Simulação em cirurgia minimamente invasiva pediátrica: adaptação de uma série de exercícios simples e de fácil aplicação como parte do processo de implementação inicial de um programa de treinamento de residentes. Rev Col Bras Cir. 2024;51:e20243574. doi: 10.1590/0100-6991e-20243574.




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