top of page

Treinar cirurgia no Counter-Strike é suficiente?

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

A pergunta pode parecer absurda. Mas em março de 2026, a UNOESTE — Universidade do Oeste Paulista, fundada em 1972 e hoje considerada a melhor universidade particular do estado de São Paulo pelo MEC — tornou oficial o que até então era especulação acadêmica: criou uma disciplina semestral chamada "First Person Surgeons", que usa o game de tiro Counter-Strike como ferramenta de treinamento para futuros cirurgiões. Para a aula inaugural, convidou Gabriel "FalleN" Toledo, bicampeão mundial do jogo, como professor.


Não se trata de uma aposta de segunda linha. No Enamed 2025 — primeira edição do exame nacional de avaliação da formação médica —, os campi de Medicina da UNOESTE em Presidente Prudente e Jaú obtiveram conceito 4, acima da média nacional: dos 350 cursos avaliados no país, 107 ficaram com conceitos 1 e 2, e apenas 30 alcançaram nota máxima.


O episódio repercutiu. E levantou uma questão que vale responder com seriedade: o que os videogames podem — e o que definitivamente não podem — fazer pela formação cirúrgica?


Games e cirurgia: entenda melhor esta relação.
Games e cirurgia: entenda melhor esta relação.

O que a ciência diz sobre games e cirurgia


A relação entre videogames e habilidades cirúrgicas não é nova. Em 2007, Rosser e colaboradores publicaram um estudo que ficaria marcado na literatura médica: cirurgiões que jogavam videogames regularmente cometiam 37% menos erros em procedimentos laparoscópicos e eram 27% mais rápidos do que colegas não jogadores. O estudo era correlacional — não estabelecia causalidade —, mas abriu uma linha de investigação que segue ativa até hoje.


A lógica faz sentido. A videolaparoscopia exige coordenação olho-mão, interpretação de imagens em tela, controle fino de instrumentos e tomada de decisão rápida. Um jogador experiente de Counter-Strike desenvolve exatamente essas capacidades no plano cognitivo-motor. O projeto da UNOESTE parte dessa premissa: os alunos treinam no game antes de tocarem em simuladores médicos, reduzindo a curva de aprendizado inicial.


Trata-se de uma proposta séria, baseada em evidências, e que o Instituto Simutec acompanha com interesse genuíno.


Onde o joystick encontra seu limite


Mas a pergunta do título permanece. E a resposta é direta: não, não é suficiente.

O que os videogames desenvolvem bem são habilidades cognitivas e motoras genéricas — foco visual, coordenação, controle emocional sob pressão. O que eles não entregam é o elemento que, na prática cirúrgica, separa o treino da realidade: o retorno háptico.


Quando um cirurgião introduz um instrumento em tecido real — ou em um simulador de alta fidelidade —, ele recebe informação tátil contínua. Sente a resistência do tecido. Percebe a diferença entre uma parede muscular e um órgão. Identifica, pelo toque, o momento certo de avançar ou recuar. Nenhum teclado ou mouse transmite isso.


É exatamente aqui que o treinamento em simuladores de alta fidelidade, com retorno háptico, se torna insubstituível. A literatura médica é clara: a competência cirúrgica envolve capacidade cognitiva e técnica (Patil et al., 2003). Desenvolver apenas uma das dimensões não forma um cirurgião apto — forma alguém com metade do preparo necessário.


Há ainda outras dimensões que os simuladores contemplam e os games não:

  • Anatomia reproduzida com fidelidade — os cenários do simulador replicam estruturas reais, com variações anatômicas presentes na prática clínica;

  • Progressão estruturada — o treinamento em videolaparoscopia, por exemplo, deve avançar por etapas, da aquisição de habilidades básicas (noção de profundidade, efeito fúlcro, coordenação de movimentos) até procedimentos de maior complexidade (Nácul et al., 2015);

  • Métricas objetivas de performance — o simulador registra em tempo real o desempenho do aluno: tempo de execução, força aplicada, número de erros, trajetória dos instrumentos;

  • Validação clínica — os simuladores utilizados no Instituto Simutec têm estudos que demonstram experiência de treinamento equivalente ou superior às metodologias tradicionais;

Complementar, não concorrente

A posição do Instituto Simutec sobre o projeto "First Person Surgeons" não é de ceticismo. É de reconhecimento criterioso.

Games podem funcionar como uma porta de entrada — uma preparação cognitiva que facilita o aprendizado subsequente em simuladores. Assim como o estudo teórico antecede a prática presencial, uma etapa de condicionamento motor básico pode ter seu valor.

O que não pode acontecer é confundir a porta de entrada com o destino.

Atuamos desde 2014 no treinamento médico baseado em simulação de alta fidelidade. São mais de 8 mil profissionais qualificados — médicos que chegaram ao simulador, sentiram o retorno háptico, passaram por cronogramas estruturados e saíram com a habilidade automatizada. Profissionais que levam para seus pacientes não apenas agilidade de jogo, mas competência clínica validada.

Quer entender a diferença na prática?

Venha experimentar uma aula prática gratuita no Instituto Simutec. Agende um horário e tenha a experiência realística de estar realizando um procedimento minimamente invasivo — com toda a fidelidade que nenhuma tela de jogo consegue oferecer.

PRÁTICA EXPERIMENTAL GRATUITA | SP
1h
Agendar
PRÁTICA EXPERIMENTAL GRATUITA | POA
1h
Agendar


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Obrigado pela sua inscrição! Você receberá conteúdos do Blog, informações de cursos, treinamentos e promoções.

Fale Conosco

+55 11 95837 4649

Segunda à sexta:
das 8h às 18h
Sábados:
das 8h às 17h

Visite

UNIDADE SP:

Avenida Brigadeiro Luis Antonio, nº 278 - 2º Andar

(APM)


 

UNIDADE POA:

Av. Ipiranga, 5311

(AMRIGS - Centro de Simulação)

Siga

  • Blogger
  • Instagram
  • Youtube
  • LinkedIn
  • Facebook
instituto simutec 10 anos

Fique Informado

Obrigado pela sua inscrição! Você receberá conteúdos do Blog, informações de cursos, treinamentos e promoções.

Política de Privacidade |  ©2023 por Instituto Simutec

bottom of page